Manual de programação de letreiros eletrônicos

A evolução dos letreiros começou na era de placas, depois o pano feito de percaline com tintas – feitos a mão ou pintadas com quadros em serigrafia – até os painéis digitais em alta definição com leds.

Algumas marcas de letreiros utilizam produtos de variadas cores de LEDS nos painéis: amarelo âmbar (nome da cor correta para os vistos laranjas), branco, vermelho e verde – azul está disponível mas não é muito utilizada na área do transporte. Os painéis podem ter somente uma cor ou podem ter mais cores, geralmente pra separar o código da linha do nome da linha, esses são chamados de letreiros bicolores. Existem painéis mais novos que usam a tecnologia de leds RGB, que mudam de cor conforme comando ou iluminação a que é exposto.

Muitos fatores podem detalhar e configurar os modelos de letreiros eletrônicos, como o tamanho, tipo de iluminação, hardware, software, entre outros. Podem ser chamados de letreiros digitais, painéis digitais, letreiros eletrônicos, itinerários digitais, vistas eletrônicas, dependendo da região e da cultura de cada região.


Índice da página

1 – Marcas x Programações
2 – Tamanhos e localizações dos painéis
3 – Aproveitamento adequado e visualizações
4 – Grafia
5 – Tempo de transição
6 – Softwares de edição

 


1 – Marcas x Programações

Quando o ônibus é vendido para as empresas, o letreiro algumas vezes vem com a programação feita pela empresa que vende o itinerário ou então fica por conta da empresa que adquiriu o ônibus/painel. Muitas programações feitas para um painel definido não servem para outros, pois podem ter tamanhos diferentes. A programação até pode funcionar, mas não fica correta.

Cada painel tem um tipo de software e usa uma tecnologia diferenciada. Algumas transferências de dados podem ser feitas por pen drive, outras por transferência de cabo serial (6/9 pinos) e outras com cabo de "telefone" (RJ6). Geralmente os fabricantes dos letreiros vendem os aparelhos de transferência de dados, chamados de unidade de transferência.

Muito importante ressaltar que não é simplesmente abrir o programa e escrever qualquer coisa que vai aparecer no itinerário. Existem muitas particularidades de cada marca, de cada painel e de cada software que precisam primeiro serem estudadas para depois colocar em prática. Muitas atitudes sem conhecimento podem causar avarias como painéis queimados, unidades de comando queimadas e falhas de programações e operações.

No Brasil, nos anos 90 começaram as operações e testes com painéis de matriz de dots (e são AMARELOS e não verdes como alguns visualmente parecem), empresas como Transpublic e Mobitec. Com a possibilidade de uso dos leds, surgiram mais empresas como FRT, Translux, ModuledLinea, Spectra, Lamix, Inova, Hanover, Dimelthoz, SetBus… e encarroçadoras como Marcopolo, Neobus e Mascarello utilizando painéis com seus logos colados em cima de Mobitec, Dimelthoz e Inova.


2 – Tamanhos e localizações dos painéis

O tamanho útil de um painel, que serve para fazer a programação é denominado pela quantidade de leds na vertical x quantidade de leds na horizontal. Existem padrões de acordo com tamanhos possíveis de carrocerias e conforme a norma de acessibilidade (ABNT NBR 14022:2011) e variam também no uso, seja rodoviário, urbano ou até mesmo fazendo parte da programação visual do sistema de transporte adotado pela cidade.


Painel 13×128 na imagem acima.

Os painéis/letreiros são formados por placas de leds de 8 ou 16 leds de largura x altura, juntos montando a sequência necessária para atingir os tamanhos maiores. Todos são combinações de placas somatórias, em série.

2.1 – Frente do veículo

Os painéis disponíveis para colocação na frente do ônibus são classificados por:

2.1.1 – Frontal: letreiro principal que traz as informações da linha. De acordo com a norma ABNT NBR 14022:2011 para ônibus urbano, o tamanho dos caracteres precisam ter no mínimo 15cm de altura, logo os painéis disponíveis precisam ter tamanho maior de 11 leds de altura. Painéis adequados para esse uso tem tamanho 11×128 e 13×128. Os painéis 16×128 e 17×128 só são adequados para utilização de 2 linhas de texto no painel, se o sistema não possuir itinerários com tanta informação, os painéis não são de grande utilidade. Antes da norma, utilizavam-se painéis de tamanhos 8×80 (espaçados), 10×96, 11×96 e 13×96. Para veículos rodoviários os tamanhos adequados e recomendados são: 8×80, 8×96, 11×80, 11×96, 13×80 e 13×96.

Alguns modelos BRT/BRS possuem letreiros curvados com até 160 leds de largura.

Quando adotado o recurso bicolor, no qual o código da linha fica na cor diferente do nome do itinerário, geralmente ficam entre 24 e 32 leds de outra cor, em um painel de 128 de largura.

2.1.2 – Auxiliar: letreiros auxiliares funcionam como informações extras do itinerário. Podem ser localizados na parte inferior ou superior do parabrisa. Recomenda-se tamanhos 11×80, 11×96, 13×80 ou 13×96. Antigamente eram utilizados 7×64, 7×80, 8×64, 8×80 e 8×96.

2.2 – Laterais do veículo

2.2.1 – Lateral esquerdo e direito: servem para dar informações sobre o itinerário e podem ser localizados na parte lateral da carroceria ao longo do veículo. De acordo com norma de acessibilidade, precisa estar ao lado das portas, seja integrado a lataria ou na janela, parte inferior ou superior. Recomenda-se tamanhos 8×80, 8×96, 11×80, 11×96, 13×80 e 13×96. Antigamente eram utilizados 7×64, 7×80 e 8×64. Existem outros modelos novos chamados de HD – High Definition, no qual tem tamanhos maiores para colocação descritiva de todo itinerário.

2.3 – Traseira do veículo

2.3.1 – Traseiro: letreiro traseiro serve para informar o código da linha. Pode ficar por dentro do vigia traseiro, integrado a carroceria na parte de cima ou ao lado das lanternas traseiras. Recomenda-se uso de tamanhos 11×32, 11×48, 13×32 e 13×48.


3 – Aproveitamento adequado e visualizações

Um painel é feito para ser UTILIZADO. Se ele tem funções especiais é para OTIMIZAR o uso e MELHORAR a identificação visual de cada informação. São facilidades e melhorias que as empresas sempre inovam para oferecer um produto final melhor. Um fator que dificulta muito é o manuseio, não por quem entende, mas sim por quem irá utilizar diariamente que é a tripulação de cada ônibus. Mas nada que uma BOA comunicação da empresa e uns avisos didáticos não resolvam.

O melhor aproveitamento do painel gera uma melhor comunicação para o devido fim que é utilizado, a exemplo do USO do painel. Se é um painel para ser visto de LONGE, ele precisa ter letras GRANDES, se é pra visto de perto ele precisa ter letras PEQUENAS. Como o ônibus geralmente anda em altas velocidades, o painel frontal sempre precisa utilizar informações com a melhor otimização, menor e mais rápida possível em transições de quadros piscantes e não rotações.

Efeitos de animações como rolagem só é útil para empresas de turismo ou linhas eventuais. Rotação/rolagem em linhas regulares causam confusão e acabam se tornando um adorno, sem nenhuma aplicação útil. O passageiro não fixa nenhuma palavra rotativa, visto que o ônibus se aproxima e não fica fixo em algum lugar, como uma loja em um shopping por exemplo. Única animação que não atrapalha a compreensão das informações é o deslocamento vertical (subir/descer).

3.1 – Letreiro frontal: precisa de informação clara, bem distribuída na área do painel para ser visto de longe. Letras grandes. Informação suscinta e suprimida.

3.2 – Letreiro auxiliar frontal: informação reduzida auxiliando o letreiro principal/frontal. Utilização de letras grandes e médias.

3.3 – Letreiro lateral: informações sobre o nome da linha ou itinerário, auxiliar lateral. Utiliza-se fontes PEQUENAS e finas, algumas letras de 2 ou 3 leds de espessura muitas vezes se tornam ilegíveis de perto e a função desse letreiro é justamente oferecer informações quando o passageiro está PERTO do itinerário.

3.4 – Letreiro traseiro: contendo o código da linha. Muito útil em sistema de terminais. Para ser visto tanto de perto como de longe, recomenda-se fontes que ocupem toda extensão do painel.


4 – Grafia

A programação de cada empresa varia muito de acordo com a "CULTURA LOCAL" dos passageiros, em alguns lugares o código da linha é mais importante que o nome da linha, em outros o inverso… já em outros lugares nem número da linha existe, então o que mais facilita para o passageiro é ele ter as informações que REALMENTE ele precisa e utiliza.

Algumas linhas podem ser identificadas de longe somente pela grafia ou fonte utilizada no letreiro, então é muito importante manter sempre um PADRÃO visual em todos os painéis e modelos. Vários tamanhos de letreiros podem receber a mesma formatação, em escala menor, assim mantendo um padrão visual.

A exemplo, duas linhas de mesma grafia e com nomes diferentes: 992 – LOS SANTOS e 994 – BOA VISTA. Ambas demonstradas em painéis de tamanhos diferentes, mantendo o mesmo padrão visual com escalas diferenciadas.

Quando criada um padrão para cada linha, sendo a linha 992 de forma normal e a 994 com espaços maiores entre as letras, formam uma grafia visual diferenciada, não só para conseguir identificar de longe, mas também para pessoas com visão reduzida.

É um recurso que também funciona para linhas com nomes parecidos, por exemplo: JARDIM BOTÂNICO e JARDIM BRASÍLIA. São nomes bem parecidos e grafias iguais, porém, um pode virar JD. BOTÂNICO e o outro permanecer por extenso JARDIM BRASÍLIA.


5 – Tempo de transição

O tempo de transição de cada quadro em 3 segundos é uma ETERNIDADE. Entre 1 e 2 segundos já é relevante, dependendo da linha, do tipo de informação oferecida e do uso, por exemplo, tem painéis com grandes quantidades de informações que se programados em tempos muito rápidos podem até queimar as placas.

A memorização dos quadros por visão é bem mais eficiente do que deixar o slide printado no painel por uma eternidade. Em 1 segundo é mais que suficiente, o cérebro automaticamente retém a informação, assim como autocomplet as fras sem precis realment escrev elas adequadamnt.

Segue uma comparação de tempos entre 2 quadros:

1 Segundo:
398.3 - Pinheiro / Ipiranga

3 Segundos:
398.3 - Pinheiro / Ipiranga

A diferença é bastante notável entre uma velocidade razoável e uma eternidade. Também da pra fazer a seguinte observação no letreiro acima: a palavra "VIA" poderia caber no próximo quadro junto ao "IPIRANGA", mas como existe a linha 398 que é PINHEIRO, então o VIA no primeiro quadro já chamaria a atenção sobre não ser a linha normal. Prende a atenção do passageiro "OPA! Via algum lugar…. não é o normal".

Alguns painéis ainda transformam os 3 segundos em 3.5 segundos, dependendo da capacidade de hardware.


6 – Softwares de edição

6.1 – Dimelthoz


Versão 2.7.88

6.2 – FRT Lightdot


Versão 5.93


?Versão 6.15

6.3 – Hanover Helen

6.4 – Inova InvEdit e ISI


Versão 2.01

6.5 – Lamix


Versão 5.4.1

6.6 – Marcopolo

6.7 – Mobitec ZEdit e MIE


Versão ZEdit


Versão MIE

6.8 – ModuledLinea

6.9 – SetBus


Versão 1.0.0.17

6.10 – Spectra Tecnologia

6.11 – Translux

6.12 – Transpublic