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Estrutura Técnica do Ônibus: Mecânica 8 – Rodas e Pneus

Atualização: Página criada em: 23/04/2022 por César Mattos.

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Rodas e Pneus

8.01 – Roda raiada

É constituída de cubo e braços (raios). conjunto sobre o qual é montado o aro.

Roda raiada
Imagem 8.01 – Roda raiada dianteira (esquerda) e traseira (direita).
Fonte: César Mattos (2016).

8.02 – Roda de disco

É formada de um disco estampado, unido ao aro, com ou sem orifícios para ventilação. Conjunto de 1 peça: forjado; ou de 2 peças: soldado.

O processo de fabricação de rodas forjadas de alumínio consiste na compactação de um bloco único de alumínio (sem soldas) que depois recebe tratamento térmico, usinagem e polimento. As rodas fundidas são são fabricadas com o alumínio em estado líquido, colocado em um molde até resfriar atingindo o estado sólido. As rodas de alumínio forjado, quando em manutenção adequada, pode durar mais de 30 anos.

Roda de alumínio
Imagem 8.02 – Roda de alumínio.
Fonte: Rodas Alcoa®.

8.03 – Aros das rodas

O aro é a parte da roda na qual se apóia diretamente o pneumático. A roda mesma se compõe do aro e do disco de roda; em vez do disco pode haver uma armação de raios grossos. Segundo o perfil do aro, distinguem-se os aros de bases cônicas e os aros de bases chatas.

Aros das rodas
Imagem 8.03 – Aros das rodas.
Fonte: Rodas Alcoa®.
Fita métrica usada na medição do aro das rodas
Imagem 8.03a – Fita métrica usada na medição do aro das rodas.
Fonte: Rodas Alcoa®.

8.04 – Aro de base cônica

A base do aro inclina-se cerca de 5º para o exterior. Os talões dos pneus são comprimidos contra as bordas do aro sob pressão, de modo que não possam movimentar-se.

Aro de base cônica
Imagem 8.04 – Aro de base cônica.
Fonte: Mercedes-Benz.

8.05 – Aro de base chata

Para possibilitar uma montagem fácil, o telão do pneu 6 montado sem pressão. Uma vez colocado o anel de segurança, o pneu é inflado, ajustando-se os talões ao aro.

Aro de base chata
Imagem 8.05 – Aro de base chata.
Fonte: Mercedes-Benz.

8.06 – Tamanho do aro

Na roda 7.0-20 (7.0 x 20), por exemplo, o número 7.0 indica a distância entre os flanges, em polegadas; o número 20 indica o diâmetro do aro da roda, em polegadas.

Tamanho do aro: (A) distância entre flanges; (B) diâmetro do aro da roda
Imagem 8.06 – Tamanho do aro: (A) distância entre flanges; (B) diâmetro do aro da roda.
Fonte: Italspeed (adaptada).

8.07 – Pneumáticos

O elemento portante de um pneumático é sua carcaça (armadura interior). Esta se compõe de várias capas cruzadas de cordonéis de nylon ou de arame de aço superpostas, unidas fortemente entre si. No talão do pneumático, estas capas estão dispostas ao redor de um núcleo de cabos de aço. Na parte superior da carcaça se encontra uma capa intermediária, reforçada com tecido. Esta capa leva a banda de rodagem, a qual possui o perfil adequado para o serviço que o veículo deve prestar.

Pneu radial: os fios das lonas estendem-se de um a outro talão em ângulo reto com a carcaça o que lhes proporciona melhor flexibilidade, menor aquecimento e excelente aderência sob esforço. As lonas estabilizadoras, assim chamadas, permitem um bom apoio da banda de rodagem mesmo quando há solicitações laterais.

Pneumáticos
Imagem 8.07 – Pneumáticos.
Fonte: Transporte Moderno.

8.08 – Carcaça do pneumático

Carcaça do pneumático e uma armação composta de várias camadas de tecidos, recobertas por uma camada de borracha dura que constitui a banda de rodagem

Carcaça do pneumático
Imagem 8.08 – Carcaça do pneumático.
Fonte: Transporte Moderno.

8.09 – Banda de rodagem do pneumático

Banda de rodagem é no pneumático a área que fica em contato com o solo.

Banda de rodagem do pneumático
Imagem 8.09 – Banda de rodagem do pneumático.
Fonte: Transporte Moderno.

8.10 – Talão do pneumático

Talão do pneumático é a borda interna que fica em contato com o aro da roda. Possui ranhuras e blocos, responsáveis por tracionar, dissipar calor e líquidos, manter a estabilidade e segurança do veiculo, possibilitando a ventilação, escoamento da água e aderência ao solo.

Talão do pneumático
Imagem 8.10 – Talão do pneumático.
Fonte: Rodas Alcoa®.

8.11 – Tamanho do pneumático

No pneu 9.00-20, por exemplo, o número 9.00 indica a largura do pneumático sob a pressão recomendada, em polegadas; o número 20 indica o diâmetro do aro da roda, em polegadas.

Tamanho do pneumático: (A) largura do pneu; (B) diâmetro do aro da roda
Imagem 8.11a – Tamanho do pneumático: (A) largura do pneu; (B) diâmetro do aro da roda.
Fonte: Transporte Moderno (adaptada).

Pela designação métrica Europeia:

275/80 R 22.5 275 / 80 R 22.5
1ª posição 2ª posição 3ª posição 4ª posição

1ª posição: largura da seção transversal (em milímetros).

2ª posição: relação de altura x largura da seção transversal (em %).

3ª posição: construção (R = Radial, D = Diagonal ou sem letra designada).

4ª posição: diâmetro do aro (em polegadas).

Tamanho do pneumático pela designação métrica Europeia
Imagem 8.11b – Tamanho do pneumático pela designação métrica Europeia.
Fonte: César Mattos.

8.12 – Capacidade de carga do pneumático

A capacidade de carga do pneumático está determinada pela pressão de ar em seu interior. A pressão máxima admissível depende da resistência da carcaça. A cifra PR (Ply rating), se emprega como medida de resistência da carcaça e da capacidade de carga de um pneumático, sendo indicada logo após a designação do tamanho do pneumático. Por exemplo: 9.00-20 PR 12. Como tal, o PR não representa necessariamente o número real de lonas com que o pneumático foi confeccionado.

Capacidade de carga do pneumático
Imagem 8.12 – Capacidade de carga do pneumático.
Fonte: Mercedes-Benz.

8.13 – Pressão do pneumático

Representa a pressão do ar por polegada quadrada, em libras, recomendada para determinado pneu. Essa pressão deve ser tomada com o pneu frio.

Pressão do pneumático
Imagem 8.13 – Pressão do pneumático.
Fonte: Mercedes-Benz.

8.14 – Pneumáticos de cinturão

No pneumático de cinturão os cordonéis são paralelos entre si e estão dispostos radialmente: estão rodeados de várias cintas sobrepostas (cinturões), situadas entre a armadura interior e a banda de rodagem.
Um pneumático de carcaça radial poderia transmitir, ao rodar, unicamente esforços laterais pequenos. Por esta razão o cinturão é necessário para manter a direção e estabilizar adicionalmente a banda de rodagem.

Pneumáticos de cinturão
Imagem 8.14 – Pneumáticos de cinturão.
Fonte: Mercedes-Benz.

8.15 – Pneumáticos para estradas e terrenos

Pneumáticos de utilização alternativa em estradas e em terrenos. banda de rodagem tem para tanto um perfil normal para estradas, no centro, e ressaltos nos lados.

Pneumáticos para estradas e terrenos
Imagem 8.15 – Pneumáticos para estradas e terrenos.
Fonte: PneuStore.com.br.

8.16 – Pneumáticos para qualquer terreno

Pneumáticos com perfil de ressaltos grossos na banda de rodagem, para aumentar a adaptação de um veículo a qualquer tipo de terreno. É utilizado apenas em solo não pavimentado.

Pneumáticos para qualquer terreno
Imagem 8.16 – Pneumáticos qualquer terreno.
Fonte: PneuStore.com.br.

8.17 – Rodado: simples / duplo

Encontrado em normas do CONTRAN também como “rodagem simples” ou “rodagem dupla”. A utilização de eixos com rodagem simples ou dupla depende da capacidade de carga máxima transportada. Em veículos pesados é mais comum ter rodados simples no(s) eixos(s) dianteiro(s), duplo no eixo traseiro ou misto de duplo+simples para eixos trucados. Em veículos leves como vans e alguns micro-ônibus também pode ocorrer de ter eixos com rodados simples na dianteira e traseira.

Qualquer roda que pode ser colocada com o lado do disco em contato com o lado do disco de outra roda, resultando num conjunto de roda dupla interna e externa é chamado de rodado duplo, ao contrário do simples em que é uma roda única.

Rodado: simples / duplo
Imagem 8.17a – Eixos com rodados simples (A) e rodados duplos (B).
Fonte: Agrale (adaptada).
Rodado: simples / duplo
Imagem 8.17b – Rodado simples (A) e rodado duplo (B).
Fonte: César Mattos.

8.18 – Flange do aro

Parte do aro que se estende acima do assento do talão, que ajuda a segurar o talão do pneu. ARO – A parte da roda que apoia o pneu.

8.19 – Prisioneiro

Parafuso roscado que se estende a partir da superfície do cubo ao qual a roda é presa pelas porcas.

Prisioneiro
Imagem 8.19 – Prisioneiro.
Fonte: Rodas Alcoa®.

8.20 – Porcas das rodas

Porca cega interna: porca usada para montar a roda interna num sistema de roda dupla posicionada por prisioneiros. Não se aplica a rodas guiadas pelo cubo.

Porca cega externa: porca usada para prender a roda externa posicionada por prisioneiros num par de rodas duplas e rosqueada na porca interna. Não se aplica a rodas guiadas pelo cubo.

Porca com manga longa: porca adaptada com uma manga de extensão longa, usada para prender rodas duplas.

Porca com manga curta: porca adaptada com uma manga de extensão curta, usada para prender uma roda simples

Porca do flange de peça única: combinação de porca e arruela numa única peça.

Porca do flange bipartida: combinação de porca e arruela em 2 peças, usada para proteger as rodas guiadas pelo cubo.

Porcas das rodas
Imagem 8.20a – Porcas das rodas.
Fonte: Rodas Alcoa®.
Porcas com manga
Imagem 8.20b – Porcas com manga.
Fonte: Rodas Alcoa®.
Ordem de aperto das porcas das rodas
Imagem 8.20c – Ordem de aperto das porcas das rodas.
Fonte: Rodas Alcoa®.

8.21 – Calha do aro

Cuba ou parte central do aro da roda que permite a instalação de um pneu sem câmara.

8.22 – Guia/Pino ou Aba de guia

Superfícies / partes salientes de um cubo, usadas para centrar uma roda guiada pelo cubo.

Aba de guia de roda
Imagem 8.22 – Aba de guia de roda.
Fonte: Rodas Alcoa®.

8.23 – Indicador de Desgaste da Superfície de Rolamento

TWI – Tread Wear Indicator: é um recurso de segurança importante que permite mostrar facilmente quanto da superfície de rolamento resta no pneu a ser utilizada. Barras de borracha estreitas são moldadas numa altura de 1,6 mm (2/32″) na parte inferior das ranhuras da superfície de rolamento. Quando os desgastes da superfície de rolamento atingem essas barras, o pneu deve ser substituído.

Indicador de Desgaste da Superfície de Rolamento
Imagem 8.23 – Indicador de Desgaste da Superfície de Rolamento.
Fonte: Pirelli.

8.24 – Câmara de ar

É um tubo circular, de borracha, que é colocado no interior do pneu, inflado com ar comprimido, na quantidade necessária para sustentar a carga que o veículo impõe às rodas. A câmara-de-ar é munida de uma válvula que serve para introduzir o ar em seu interior, mantê-lo para utilização e esvaziá-la quando necessário. Deve resistir a flexões, deformações e ao calor produzido no pneu, quando em movimento.

O pneu SEM câmara-de-ar tem o seu interior revestido por borracha macia que impede o ar de sair por sua carcaça e por entre o talão e o aro da roda.

Diferenças de câmara de ar: com e sem
Imagem 8.24 – Diferenças de câmara de ar: com e sem.
Fonte: Transporte Moderno.

8.25 – Rodoar

Permite que o motorista calibre os pneus sem parar o veículo por meio de compressor de ar. O alarme de som, automático, alerta o motorista no momento em que o pneu fura, permitindo prosseguimento da viagem normalmente. Isso permite redução do desgaste da borracha do pneu.

Rodoar
Imagem 8.25 – Rodoar.
Fonte: César Mattos.

8.26 – Rodízio dos pneus

Para prolongar a durabilidade dos pneus, é necessário que o desgaste dos mesmos seja uniforme. Quando da substituição por novos, os 6 pneus devem ser substituídos.

Nunca monte pneus de medidas diferentes ou pneus gastos misturados com pneus novos num mesmo eixo. Nunca monte pneus de medidas diferentes ou pneus gastos misturados com pneus novos em eixo de tração. Isto pode causar o desgaste prematuro do conjunto satélites e planetária do diferencial.

(1) Pneus dianteiros iguais aos pneus traseiros; (2) Pneus dianteiros diferentes dos pneus traseiros
Imagem 8.26 – (1) Pneus dianteiros iguais aos pneus traseiros; (2) Pneus dianteiros diferentes dos pneus traseiros.
Fonte: VWCO – Volkswagen Caminhões e Ônibus.

8.27 – Recapagem

Processo pelo qual um pneu é reformado pela substituição da sua banda de rodagem.

Recapagem
Imagem 8.27 – Recapagem.
Fonte: Transporte Moderno.

8.28 – Recauchutagem

Processo pelo qual um pneu é reformado pela substituição da sua banda de rodagem e dos seus ombros.

Recauchutagem
Imagem 8.28 – Recauchutagem.
Fonte: Paulo Igarashi.

8.29 – Remoldagem

Processo pelo qual um pneu é reformado pela substituição da sua banda de rodagem, de seus ombros e de toda a superfície dos seus flancos. Este processo também é conhecido como recauchutagem de talão a talão.

8.30 – Cubo de roda / Cubo de eixo

VER PÁGINA “Estrutura Técnica do Ônibus: Mecânica 6 – Sistema de Eixos” o item 6.20 – Copo do cubo / Cubo de eixo.

8.31 – Construção: Diagonal x Radial

A diferença entre os pneus diagonais e os radiais está principalmente na carcaça. O pneu diagonal, também chamado de convencional e utilizado desde a implantação da indústria automobilística, possui uma carcaça constituída de lonas têxteis cruzadas, uma em relação à outra. Os cordonéis estendem de talão a talão, no sentido diagonal, formando um ângulo de aproximadamente 38° com a linha central da banda de rodagem.

Com a evolução da tecnologia, os diagonais foram sendo substituídos, desde a década de 70, pelos pneus radiais, capazes de suportar maiores cargas e maiores pressões de enchimento. Sua carcaça é constituída de uma ou mais lonas cujos cordonéis são paralelos entre si e dispostos no sentido radial. Esta estrutura é estabilizada pelas cinturas sob a banda de rodagem. Os cordonéis da lona da carcaça se estendem transversalmente de talão a talão formando um ângulo reto com a linha central da banda de rodagem. Um conjunto de cintas de aço (geralmente, quatro) circunda a carcaça.

Construção: Diagonal x Radial
Imagem 8.31 – Construção: Diagonal x Radial.
Fonte: Transporte Moderno.

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